Que brasileiros queremos ser?

Que brasileiros queremos ser?

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20 de abril de 2022
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20 de abril de 2022

Estou cansado. Aliás, estamos, todos nós brasileiros, cansados.

Não se trata de um cansaço da esquerda, do centro ou da direita. É o cansaço da vergonha alheia independente da visão política.

Talvez seja o único ponto que uma toda a população: o cansaço do atual cenário brasileiro.

Cresci escutando que eu era a geração do futuro e que precisávamos pensar que país
gostaríamos de ter.

O problema é que pouco me ensinaram a respeito de qual brasileiro eu gostaria de ser.

Quando refletimos o país que desejamos ter, estamos criando um pensamento crítico, julgador e de senso coletivo (quem me dera se a solução do Brasil dependesse de uma única pessoa).

Mas todo processo de mudança inicia em uma esfera individual. Portanto me parece mais lógico o questionamento de qual brasileiro queremos ser.

Mas aí a cena muda. O dedo em riste do julgamento acaba se virando para nós mesmos.

Nós somos os brasileiros que gostaríamos de ver?

Agimos no trânsito da forma como nos orgulharíamos de ser?

E no troco do supermercado?

E na vaga especial que não necessitamos?

E na regra do condomínio?

E na declaração do Imposto de Renda?

E no tema de casa do filho?

E na fila do cinema?

E na hora de confirmar o voto nas urnas?

Isto me cansa mais.

Porque não podemos ampliar a hipocrisia de que o problema do Brasil é somente a política. Independente do que vá acontecer com o atual cenário político brasileiro, estamos diante de um bom momento para pensarmos nas nossas crenças sobre nossos comportamentos enquanto cidadãos.

Existe um prazo de validade para culparmos os outros pelos nossos problemas.

Desligar um pouco deste grande seriado chamado “política brasileira” e encarar as nossas próprias novelas particulares.

Afastar um pouco a mudança ideal e se aproximar da mudança possível. Inverter o “veja o que eles estão fazendo” para “veja o que eu estou fazendo”.

Que possamos seguir indignados todo este jogo político atual, cada um à sua maneira, de acordo com seus ideais.

Vivemos em democracia e isto precisa ser respeitado. Mas não podemos esquecer que toda mudança significativa começa no “eu”.

Gabriel Carneiro
Colunista
Escritor, professor e terapeuta
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